quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Endeusamento
Numa época em que impera o oportunismo e a esperteza no meio político, ser aquilo que todos deveriam ser por dever de ofício, cumpridores das obrigações assumidas, já virou motivo de endeusamento. O ser corrupto no meio político já não é mais considerado coisa eticamente reprovável, é algo que já faz parte, é inerente aos cargos públicos.
Aliás, eu sempre achei que a ética política não tem nenhuma relação com o comportamento devido pelos comuns dos mortais. Aquilo que a nós, meros eleitores, é negado, não o é aos políticos, que tudo podem e nada os abala. Quando ficamos espantados diante de alguns fatos, é bom saber que isso não provoca o menor rubor nas faces de um político qualquer.
Assim, é possível a uma ministra desmentir sem a menor cerimônia a uma diretora de uma entidade estatal que deveria representar a lisura e a correção, ser um exemplo de procedimento para os contribuintes. Mas não, a ministra chama a essa subordinada de mentirosa sem o menor constrangimento, sem o menor rubor.
Depois se passa a sonegar informações e destruir provas que poderiam comprovar o fato que é mais do que evidente: a ministra não passa de uma pinóquia mentirosa, capaz de destruir a reputação de quem quer que seja para se proteger, alguém em que é impossível se confiar. Quando a realidade desaprova, dane-se a realidade, muda-se a realidade.
E é por isso e por outras que já virou motivo de endeusamento o ser meramente correto, íntegro, probo e posssuidor de caráter. Coisas normais aos comuns dos mortais, mas capazes de tornar deuses qualquer político. E, cá prá nós, você conhece algum deus andando por aí?
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